sábado, 7 de janeiro de 2012

Antônimo


Acabei de ler um texto foda. Assim mesmo: FODA! Simplesmente. Caio Fernando de Abreu me fascina com suas palavras e sensibilidade de percepção. O que sabemos afinal sobre o sofrimento? O do outro nunca é o meu, e o meu não poderá nunca ser o do outro. Mas mesmo assim desejamos, impomos a compreensão alheia. Pra quê? Sei lá, cada um sabe de si. É bom sentir-se amado, cuidado, sentir que alguém preocupa-se. Mas não adianta baby, as pessoas podem entender, mas compreender jamais.

São Paulo é a cidade dos desesperados. Muita pressa, correria, aperto. Você olha ao redor e todos estão correndo. Correndo. Simplesmente correndo. Correndo para trabalhar; correndo para ir pra casa; correndo para sair; correndo para chegar; correndo para encontrar; correndo para desencontrar; correndo para o nada. Correndo para achar. São Paulo é cheio. Cheio de vazio. Aqui as pessoas se olham, mas não se vêem! Você lembra o rosto de quem sentou ao seu lado no ônibus ou no metrô hoje? Fiz força, mas não lembro o rosto da menina que estava sentada ao meu lado hoje. Lembro apenas que ela também estava só, como a maioria de nós estamos em transportes públicos. Só com um celular ultrapassado rosa na mão, ouvindo música, fechada em seu mundo, mandando SMS sem parar para alguém, que como ela, também deveria estar só em algum lugar lotado com o celular na mão, ouvindo música, respondendo SMS sem parar.

São Paulo é a cidade que queima gelado. Muito muito muito, forte forte forte, intenso intenso intenso, nada nada nada. São Paulo faz companhia aos corações abandonados. Ilumina-os com luzes brilhantes e ofusca a solidão com opções deslumbrantes e infinitas. São Paulo é linda linda linda, e feia, feia, feia muito feia ao mesmo tempo.

Esses dias eu estava na balada com minha amiga linda. Foi um dia trash, não estávamos muito felizes, mas também não estávamos muito tristes, apenas não estávamos radiantes. No meio da pista, do show, minha amiga virou pra mim e disse: Amiga, aquele cara ali tá triste! E então ela me apontou o tal sujeito. Alto, magro, branquinho. Cabelo castanho claro e olhos profundos. Sua expressão estava séria. Com um copo na mão ele trocava algumas palavras com um amigo mais baixo, que estava visivelmente mais animado. Mas o tal fulano triste estava no meio da pista, no meio da pista, no meio de São Paulo em uma balada ótima com pessoas bonitas, mas o que faltava? Podemos entender, mas compreender jamais!

São Paulo é a cidade dos filósofos. Alguns enxergam-na meio cheia, outros meio vazia. Pra mim, na verdade, ela é cheia sim, cheia de gente vazia almejando encontros, milagres e momentos calorosos. São Paulo é cheia de gente vazia que não olha o rosto dos cidadãos que compartilham acentos, oxigênio, saliva. É cheia de gente vazia que quer se preencher mas não se permite. O povo é frio porque não acredita no calor do outro, e quando encontra alguém quentinho duvida. Duvida! São Paulo é cheia, cheia de gente só que quer ser gente acompanhada! As pessoas aqui não são diferentes, são mais medrosas e desconfiadas. É assim nas grandes cidades, você aprende a se proteger, e se protege tanto tanto tanto que se acostuma a solidão e esquece de abrir a porta do quarto. São Paulo é cheia de gente medrosa que quer ser gente corajosa!

1 Já comentaram, dxe tb a sua opinião!:

  1. Maravilhoso texto! Consegui imaginar tantos lugares, tanta gente...


    Beijos

    ResponderExcluir

Gostou? Deixe seu recado!